terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
cem anos de solidão.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
2008.
"joh, a minha intuição diz que 2008 vai ser o seu ano, não me pergunte o porquê" foi uma das primeiras predições para o meu ano, que não podia ter começado melhor. apesar de ter sede de porquês, não perguntei ao carlos a razão, porque talvez fosse só para me alegrar. sabe? atribuir um quê de otimismo no meu começo de ano (convenhamos, não queria começá-lo já descartando ilusões, essas borboletinhas que invadem o estômago da gente de vez em quando). a verdade é que eu deveria subestimar menos a intuição, seja ela proveniente de amigos ou de mim. essa foi uma das valiosas lições que tirei de dois mil e oito.
estou há uns dias pensando em como escreveria algo que fizesse jus às experiências, porque me parece que ainda não aceitei o fato de que palavras nunca se elevarão ao nível da vida. elas sempre serão essa intermediária que flutua entre o sentir, o ser e o papel. o papel, portanto, sempre terá as experiências como impalpáveis. às fibras do papel os momentos serão sempre
semi-momentos, tudo pela metade, tudo fragmentado. papel virtual, então, nem se fala! enfim, o que eu quero mesmo dizer é que não há palavras, por mais cliché que seja. aliás, as reações em mim causadas pelas tais experiências foram todas clichés. não consegui fugir de mim em nenhuma delas. esse foi um ano de pernas muito bambas, de pêlos da nuca constantemente
arrepiados - e, ainda assim, soando como novidade a cada arrepio. foi ano de frio na barriga, de noites mal dormidas, de fome excessiva, de falta de fome. houve também dor, muitos fracassos com os quais eu jamais havia precisado lidar. eu precisei aprender a não fazer desses fracassos o meu ano inteiro. não podia deixá-los dominar as tantas outras sensações.
começando por um janeiro, sem rio, mas com mar, onde eu me joguei de vestido longo ao descobrir a primeira vitória. essa não foi de 2008, mas de uma vida inteira (oh, que brega! haha). eu, que acreditava ser impossível, consegui. um primeiro lugar, um total em uma prova discursiva em uma universidade federal (o engraçado é como até hoje eu me sinto extremamente pedante ao falar disso). foi lá, nas águas capixabas, cercada de amigos queridos de verdade, que eu vivi a primeira cena cinematográfica do ano. mas, nos filmes, os vestidos não parecem pesar 964 quilos depois que a mocinha sai da água. ela consegue correr, com um sorriso gracioso estampado na cara, os cabelos molhados e esvoaçantes (?), tudo num close muito sensual, com trilha sonora e em câmera lenta. me dei conta de que essa é só pra disfarçar a lei da gravidade, que atrai a mocinha pro fundo do mar e ela quase se afoga, de tanto rir e explodir de felicidade embaixo d'água. a realidade é mesmo uma coisa que não dá para ser enfeitada, porque é demais para ser acreditada, parafraseando aquela moça datilógrafa, virgem e que gosta de coca-cola. e a minha realidade em janeiro foi tecida com cuidado: amigos vinte e quatro horas, o vislumbre do ar de liberdade que perfumaria os outros meses inteiros, pôquer com isca de peixe frito à beira do mar, shows inusitados, muito créu e a perspectiva de um ano, de fato, que fosse meu. era pra ser, apesar de a virada do ano, com a família brigada e um coração estraçalhado, ter me tirado todo o ânimo.
o ânimo, que nasceu em guarapari, foi logo fortalecido no começo de fevereiro, no carnahell. não muito adepta do carnaval tradicional - já que as tradições são agora o funk, o axé e a ralação -, me entreguei ao inferninho urbano, fantasiada de chiquinha, para a felicidade das criancinhas de/na rua. as férias prolongadas me deram a oportunidade de tirar o atraso do cinema, do pôquer, do palácio das artes e dos namoros. é, arrumei um namorado, apesar de eu não ser "material de namoro". foi um mês (sim, UM mês e seis dias) bem bacana, com muitas praças, pic-nics, sorvetes exóticos, escaladas (!), promessas de passeio de caminhão, filmes, pipocas, "françamente" e rita lee. não fosse eu um relâmpago e uns DVDs da ivete sangalo que eu não conseguia engolir, teria sido mais interessante. enquanto isso, fevereiro correu bem. início de aulas, calourada com pimentinha, vinho ruim, banana e camisinha, novos amigos, gabriel. eu nunca pensei que seria possível um amigo à primeira vista. o gabriel sempre conseguia encher bem as minhas noites letreiras com uma música para cada palavra dita. não sabia, mesmo, como alguém poderia saber tanto. aposto que ele tem uma gavetinha especial no cérebro só pra isso. na verdade, ele tem um compartimento para cada coisa, porque eu nunca vi saber tanto sobre tudo como ele.
e foi março o mês mais cheio de gabriel, com o término dos nossos respectivos namoros. uma amizade para a vida toda, não me restam mais dúvidas. e toda essa certeza veio com uma noite só. dá pra crer? era tudo muito novo. e ele esteve lá. estiveram lá também as festas da UFMG, os botecos, a praça da liberdade. essa me trouxe de volta o guilherme, que estava perdido nos meus anos de iron maiden e roupas pretas. foi interessante redescobrir alguém que cresceu na mesma direção que eu, mesmo estando longe. março foi o mês da fernanda takai, do bonitinho e do interpol. março não teve muitas águas, até porque o meu verão nunca precisou de desfecho.
o melhor show do ano, porém, foi aquele que abriu o meu abril. 0s brasilienses dos móveis colonais de acaju fizeram a minha alegria quando decidiram vir a BH depois de dois anos os tendo conhecido na capital brasileira. hiperatividade no palco, na platéia e no coração. eles reviveram em mim a euforia de ver música boa feita ao vivo, depois de tantos shows ruins em janeiro e de tantos outros tão serenos em março. e, junto a isso, trouxeram um tt para a minha vida. foi bom ter mais perto, poder dançar com aquele que só me conheceu por causa da música e, de certa forma, do bonequinho da sandy que faltava na coleção do bob esponja. alguns dias e algumas pizzas na casa do pedro depois, a notícia: os móveis voltariam. com quinze dias de intervalo! disseram eles, em retrospectiva, que foi esse um dos melhores shows do ano. não há maneira de discordar. mas nem só de móveis foi feito o meu abril. era o começo de muitos seminários na faculdade, o que colocou a prova a minha capacidade interlocutiva em público - um público muito mais velho que eu, em sua maioria, e com uma bagagem intelectual incomparavelmente mais completa que a minha. não foi fácil discorrer (apesar de ter sido o henrique o bode expiatório que apresentou o trabalho todo) sobre ítalo calvino, suas propostas para o próximo milênio-e-coisa-e-tal sob o crivo de escritores e leitores tão melhores que eu. estreando a minha vida acadêmica e me abrindo os horizontes para a lingüística, apareceu um tal de simpósio internacional de análise do discurso, cheio de mestres e doutores do mundo inteiro e... eu. boboca que não sabia que calouros participavam desses eventos como MONITORES, apenas. fizeram meu abril, também, alguns churrascos, aniversários, teatros, roça e boates.
para compensar, já que o mundo se baseia na lei do equilíbrio, maio foi meio morto. até meados do quinto mês do ano, todos os filmes assistidos foram em casa, sozinha. aliás, maio foi meio todo sozinho, mas não solitário. em meio a tanta pipoca, sofá e promessas de estudo mais intenso, recebi a ligação que mudaria o resto do meu ano. "joyce, é o renato, do tfla. você deixou seu currículo aqui no começo do ano e eu gostaria de saber se ainda está interessada no trabalho. sim? ah, então pode começar o treinamento... amanhã?" e o amanhã foi corrido, mas foi. comecei. não sei se poderia ter dado destino melhor aos meus dias. manhãs e tardes de cafés corridos, barras de cereal engolidas meio de qualquer jeito, muito frio na barriga para conhecer cada aluno que me aparecia a cada meia hora. até me acostumar com a rotatividade de gente nova na minha vida, levou um mês ou mais. mas não só de rotação vive um monitor novo: de novos amigos e bares também, como não podia deixar de ser. tanto calor na alma me levou ao segundo melhor feriado do ano: ...não me lembro qual foi, mas foi na UFOP, com letras, choconhaque e colchão inflável. aquele encontro de estudantes de letras fabulosos e enfumaçados, com algum samba e uma puta sinfonia de roncos à noite. era uma sala do 4° ano, da E.E. santa godoy. eram paulinho, larissa, lislie, lucas, aninha, zildinha, michel, três thiagos, gil, quito, marcelo, cleber, lívia, ana paula, bonitinho, karol, amanda, pedro, xvan, felipe e um mundo de gente. algumas palestras chatíssimas, inclusive sobre o movimento (ou seria letargia?) estudantil. um mini-curso legal sobre HQs, um sarau com direito a beto jamaica e funk e mingau. houve também palestra sobre o estRupo de mulheres sulafricanas, muito nintendo ds, mamonas assassinas, um dormir abraçadinho, shows do lô borges (blé), flávio venturini e beto guedes, meia hora de festa anos 80 e algum haicai:
o último dia do evento foi de boteco e onze caras de azul correndo atrás da bola, na tv. e esse capinzinho brotando inesperado foi, em mim, o retorno da paixão pelo futebol. alguma coisa me explodiu e eu não perdi mais jogo nenhum do cruzeiro até o fim do ano. fim de maio, que foi até muito cheio pra um mês meio morto.
"dunas de itaúnas é mesmo super woodstock. em uma caminhada até a praia,
cruzei com uma hippie saída diretamente dos anos 70 - cabelão, bebê sujo no colo
e aspecto mais sujo ainda. há, além disso, uma nuvem permanente de maconha no
ar, o que vai me ajudar a confirmar (ou refutar) a teoria da aura do tóxico, de
benjamin. se bem que a tal aura do tóxico me persegue aonde quer que eu vá,
então é possível que ela esteja em mim. enfim, a viagem foi tranqüila (vou
continuar usando trema e foda-se a reforma. blé), exceto por umas ultrapassagens
perigosas, que me fizeram me sentir em um videogame. [...]"
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
tinha um domingo na minha segunda-feira.
hoje, mais do que nunca, tinha um cabelo no meu ovo, uma mosca na minha sopa, uma pedra no meu caminho e um domingo na minha segunda-feira.
domingo, 26 de outubro de 2008
Rir é muito úmido.
A raiz quadrada da mesa de Mila bebe humanidade. Rir é muito úmido. O fato de que o queijo é verde tropeçou inadvertidamente. Minha escova é loira e alta.
Ai.
<3
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
O post anterior apresentou algum tipo de problema e ficou em forma de poema (bastante inusitado, diga-se de passagem). Não quis deletar, porque há um comentário. Então, posto novamente, em sua forma 'original':
"...E eu compreendia a impossibilidade contra a qual o amor se choca. Imaginamos que ele tenha por objeto um ser que pode estar deitado à nossa frente, oculto num corpo. Mas ai! Ele é a extensão desse ser em todos os pontos do espaço e do tempo que esse ser ocupou ou vai ocupar. Se não possuímos ser contato com tal lugar, com tal hora, nós não o possuímos. Mas não podemos tocar todos esses pontos. Se ainda nos fossem indicados, talvez pudéssemos tentar alcançá-los. Mas tateamos às cegas sem encontrar. Daí a desconfiança, o ciúme, as perseguições. Perdemos um tempo precioso seguindo uma pista absurda e passamos ao lado da verdade sem suspeitá-la."
domingo, 19 de outubro de 2008
prisionnière.
"...E eu compreendia a impossibilidade contra a qual o amor se choca. Imaginamos
que ele tenha por objeto um ser que pode estar deitado à nossa frente, oculto
num corpo. Mas ai! Ele é a extensão desse ser em todos os pontos do espaço e do
tempo que esse ser ocupou ou vai ocupar. Se não possuímos ser contato com tal
lugar, com tal hora, nós não o possuímos. Mas não podemos tocar todos esses
pontos. Se ainda nos fossem indicados, talvez pudéssemos tentar alcançá-los. Mas
tateamos às cegas sem encontrar. Daí a desconfiança, o ciúme, as perseguições.
Perdemos um tempo precioso seguindo uma pista absurda e passamos ao lado da
verdade sem suspeitá-la."
[Proust, em La Prisonnière]
Je suis une prisionnière. Je suis perdu. L'amour n'est pas pour moi. Não importa em que língua eu o diga, o amor... ele nunca será para mim.
domingo, 5 de outubro de 2008
o cheiro do ralo.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
chuva de anti-tédio. pode?
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
fechem os olhos. façam silêncio absoluto. escutem.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
noch einmal.
there's something i've learned
'cause you feel it when they take it away"