domingo, 5 de outubro de 2008

o cheiro do ralo.

você não pode querer envelhecer ao lado daquela bunda sem tomar junto com ela a mulher que a carrega. e o estômago dessa mulher também se estufa depois do almoço, ela também tem o bafo matutino e, pela bunda dela, sai merda com o mesmo cheiro insuportável que a sua. o mesmo cheiro do ralo. você não poderia suportar outra pessoa igual a você mesmo, não é? por isso você deseja a bunda. beijar a bunda, olhar a bunda, chorar junto a essa bunda. matar sua fome de bunda. você ainda não se deu conta de que fome de corpo nem sempre com corpo se mata? para isso há comida. há bananas e animais. não sei de onde tiraram que fome de corpo tem de se matar com um outro corpo, ao qual vem anexada uma alma. sexo e alma não combinam. não entendo porque resolveram que era bom associá-los. se eu fosse o sexo, não quereria alma como sócia. má parceria, mal sucedida.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

eu reluto
em te lutar
e, de luto,
você luta
por mim.
e eu
c e d o.

para brincar,
você reluta
em me lutar
e eu, de luto,
te luto
e você
tarda.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

chuva de anti-tédio. pode?

será que tudo isso foi culpa do tédio? há pouco menos de duas horas reclamei. nadadediferenteacontecetododiaéomesmoeuquerosurpresas. não queria me liquefazer em tédio. já havia tomado por providência a leitura do roteiro de "um cão andaluz", para ver se eu criava um sonho acordada, na impossibilidade de dormir. quando a vaca mugiu no meu telefone, indicando que era hora de voltar ao dia que era o mesmo de todos os outros, parei de ler. fechei os sonhos no trecho "neste momento vai acontecer uma coisa extraordinária" e, em uma fusão do mundo de buñuel com o real, alguma coisa de diferente, em um dia que não era o mesmo, aconteceu. choveu. choveu granizo e muito. muito choveu granizo por muito tempo. o teto sem laje deixou que chovesse enquanto eu tentava ensinar, sem garganta - se em "mute" por causa da chuva ou por causa da noite anterior varada por "Rs" glotais, não sei - "Who are you?". quemévocêquecoréseucarro(amassado pela chuva)vocêéolulaquantosanosvocêtem quando o mundo cai na sua cabeça? "mãos ao alto!" e tudo te pega de assalto quando o que você mais quer é fugir da rotina.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

http://www.youtube.com/watch?v=tpqfWJ9TERQ&feature=related

fechem os olhos. façam silêncio absoluto. escutem.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

noch einmal.

"you know when you've found it
there's something i've learned
'cause you feel it when they take it away"

domingo, 20 de julho de 2008

ontem eu perdi no resta um e tenho andado com os olhos bem abertos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

achado.

Se eu escrevo, choro, rio, me perco ou me entrego, é porque alguma coisa eu tenho para mostrar. Este meu "eu" sem graça ou nexo, que roga por lapsos de euforia. "Eu" paradoxo e melodia, que não quer nunca parar. Que a alegria seja momentânea, duradoura, eterna. Inócua. Quero ser inquebrantável, leve e insana. Quero jogar beijos ao vento sem esperar tê-los de volta. Quero do mar o ar molhado de sal. Sentir o barulho das ondas e ter os pés cravados em conchas desiguais. Ter nos cabelos o vento e fazer do momento uma dança sem fim. Poder subir nas pedras e me jogar sem medo e gritar aos quatro ventos que só quero me descobrir. Talvez eu queira das montanhas o frescor da brisa e o perfume da flor. Aquela delicada flor do manacá. Talvez eu queira ouvir a água da cachoeira agredir as pedras de modo tão suave que não as faça rachar. Quero poder dizer ,sem pudor, que não senti, que eu não sinto. Que o meu desejo de euforia não passa de um capricho. Que toda a minha controvérsia se resume em um barroco porco e maldito. Que eu não sou o que eu queria ser: inquebrantável, leve e insana. Sou simplesmente alguém perdida na humilde complexidade do seu ser. Ou não ser? Eis a questão.

Texto do blog antigo. Dezembro de 2005.
Eu escrevia bonitinho, antigamente.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Espelho mágico

Da eterna procura

Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.

Mas...

Da felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!

[Mário Quintana]

segunda-feira, 30 de junho de 2008

em letras minúsculas.

de coração murcho, ela andava pelas ruas. estava assim porque não podia contar as estrelas e estava longe demais do mar para dizer se ele era mesmo salgado. uma vez, porém, ela esteve bem perto de descobrir a verdade sobre as coisas. encontrou um penhasco tão alto, mas tão alto que podia ter as estrelas nas mãos. mas teve medo de se queimar. o mesmo penhasco dava para o mar. mas, com medo de descobrir que o mar era doce, não pulou. teve medo de se afogar.

(o coração? murchou mais um pouco, até se assemelhar aos sacos de lixo que representam os pulmões nas embalagens de cigarro. se ela não tomar cuidado, vai morrer deste câncer, o medo)

sábado, 28 de junho de 2008

verdade extra-universal

Até mesmo os Jedi e os Sith concordam que o amor representa perigo, sabe como?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

pensamentos simultaneamente ordenados.

Sempre alego falta de inspiração ou de tempo ou de ambos, o que não deixa de ser verdade. Isso não justifica, porém, a ausência absoluta disso aqui. Acho que eu sou mesmo assim. Absolutamente ausente e, na maioria das vezes, por acidente. Não é que eu não me importe. Por eu ter esse ranço incômodo de perfeccionismo, acabo pecando pelo medo de tentar. Se é para resultar em auto-frustração, melhor nem me apegar. Nem a textos nem a pessoas. Nem a dias passados nem futuros. Nem ao momento eu tenho o costume de me apegar. Desconheço a origem desse pânico, mas a existência é inegável. O que geralmente atribui-se ao homem, o medo de comprometer-se, é algo que me acomete desde sempre e não faço idéia de quanto tempo ainda há de durar. Sei que só agora isso comecou a me incomodar, a me doer profundo. Chega a latejar-me o cérebro. É possível que seja devido ao acidente de só agora ter me deparado com alguém tão parecido comigo nesse aspecto. É um tanto quanto assustador saber que outra pessoa me trata do mesmo modo como tratei as pessoas a minha vida inteira. Assustador demais, na verdade. Isso só prova que eu provavelmente não tratei as pessoas do jeito que elas mereciam. Culpo essa minha personalidade bizarra, que oscila entre extremos. Já fui chamada de relâmpago, de cubinho de gelo imprevisível. Alusões à frieza e à velocidade de saída sempre fizeram parte do meu imaginário de relacionamentos. Acontece que nem sempre está frio aqui dentro. O problema é que o calor fica retido e, pela válvula de escape, não sai nada além de aparente indiferença. Isso está me matando, pela primeira vez em anos. Qual é o problema comigo? Qual é o problema com ele? São, obviamente, perguntas retóricas sem solução, porque assim é a minha personalidade. Sem solução. Sou implícita e sempre achei que era bom ser assim. Não gosto de me imaginar óbvia, sem mistério. Além disso, nunca me apeguei a pessoas sem mistério. Só as pessoas de ausentes ou camufladas intenções me pertenceram ao pensamento um dia. Talvez só assim eu realmente me pertença. É.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

É dia extra do bissexto.

Já que hoje é um dia que só se repetirá (?) daqui a quatro anos, resolvi que postar alguma coisinha aqui seria bom. Fazer coisas incomuns em um dia incomum. Não que eu quisesse que postar aqui fosse algo incomum, mas regularidades não funcionam muito bem para mim.

Dando início ao rol de bizarrices do dia extra do ano bissexto, minha rasteirinha arrebentou às 7 e meia da manhã, no momento imediato em que eu desci do ônibus, rumo à aula de inglês preguiçosa das sextas madrugadoras. Foi até interessante passar uma manhã descalça na Savassi, atraindo olhares de todos os transeuntes, a maioria deles muito elegante, preparada para ter um dia cujo rumo tendia à uma direção diametralmente oposta à minha situação. Muitas pedras afiadas no caminho, muita fofoca, piadinhas e olhares desconfiados acolheram o meu desconforto, mas não achei que havia solução melhor do que empinar o nariz tanto quanto as madames do Pátio, fingir que estava propositalmente descalça e que essa era mais uma maneira de integrar-me à natureza, tal como as dietas à base de grãos e os banhos de lama medicinal. A minha tática não obteve muito sucesso nem evitou olhares das patricinhas, mas me valeu uma historinha pra contar. O telefone tocou bilhões de vezes agora e eu perdi a linha do raciocínio, então vou lavar a cabeça e ir pra faculdade. Prefiro nem imaginar as bizarrices que me aguardam na calourada.